Se eu sei o que devo fazer, por que não faço?
03/02/2010 by: Joicinhapor Patricia Gebrim
"Precisamos perceber quando estamos tendendo a simplesmente "reagir" ao mundo, de acordo com uma emoção condicionada. Precisamos pensar, usar a razão para reavaliar a situação e correr o risco baseados na pessoa que somos HOJE, checar, acreditar que agora pode ser diferente do que foi lá atrás"
Muitas vezes em nossas vidas sabemos exatamente como deveríamos agir ou nos comportar, e ainda assim nos sentimos incapazes de fazer o que deve ser feito.
Como se fios invisíveis nos amarrassem e aprisionassem, limitando nossos movimentos, só nos resta a sensação de impotência, um gosto amargo de frustração e a repetição de cenas já conhecidas que nos impedem de ir em direção à felicidade.
Como se fôssemos prisioneiros de nós mesmos, ficamos lá, paralisados, embora tudo em nós grite:
- Mova-se!
Quem já se sentiu assim sabe o quanto é difícil.
- Se sabemos que devemos nos mover, por que não seguimos adiante?
É a pergunta que não nos deixa dormir em paz.
É claro que se fôssemos seres puramente racionais, nada disso aconteceria. É facil resolver as coisas no campo da teoria e daquilo que é meramente racional:
- Esse relacionamento lhe faz mal? Então deixe-o e busque algo mais saudável... Parece simples não?
Mas o fato é que não somos só uma cabeça que pensa e analisa. Somos também seres emocionais, como se dentro de nós existisse um lago feito das mais diversas emoções. A nossa cabeça pensante é como uma pedra lá no meio do lago, muitas vezes parcialmente submersa, outras vezes totalmente coberta pelas emoções, a ponto de nem mesmo conseguirmos enxergá-la.
Lago das emoções
O lago das emoções começa a surgir muito cedo na vida, a partir de nossas primeiras interações com o mundo que nos cerca. Esse lago é formado por tudo o que sentimos, desde a infância até hoje. Assim, diferentemente do lado racional que se baseia em analisar a compreensão dos fatos, num entendimento lógico do mundo; o nosso lado emocional é feito de uma mistura confusa de sentimentos. Lá no seu lago está o que você sentiu quando alguém brigou com você pela primeira vez na vida, está o seu medo do escuro, a raiva do coleguinha que grudou chiclete no seu cabelo, a tristeza que sentiu quando seu gatinho morreu, a alegria de andar na sua bicicleta nova e tantos outros sentimentos. A partir desses sentimentos, sem se dar conta, você foi aprendendo a reagir ao mundo.
O saudável seria que razão e emoção conversassem entre si e que ambas tivessem espaço em nossas vidas, em nossas decisões. Mas se o lago transborda, se a sua razão se torna uma pedra submersa, lá no fundo, tão no fundo que você mal consegue ver... então a emoção se tornará a condutora de sua vida. E a sua emoção irá sempre pelo caminho já demarcado anteriormente. Como um rio, que segue sempre pelo leito escavado na terra, a água flui por onde já passou muitas vezes, instituindo a repetição como regra em nossas vidas. E assim ficamos lá, repetindo, repetindo, repetindo.
Para que você entenda de forma prática, imagine que quando criança você sempre tenha se sentido menosprezado por seus coleguinhas na escola. Você aprendeu lá atrás a sentir-se frágil, pequeno, indefeso e inferior. A sua emoção continuará fazendo com que você se "sinta" assim. Mesmo que hoje você tenha crescido, se tornado muito forte, capaz e mais poderoso do que qualquer um de seus ex-coleguinhas; se você se deixar guiar pela emoção, talvez evite entrar em situações de confronto, esperando perder, como acontecia no passado.
MEDO (BASEADO EM EXPERIÊNCIAS PASSADAS) + GENERALIZAÇÃO = PARALISIA
Em geral ficamos paralisados porque somos prisioneiros de um passado, de uma visão distorcida de nós mesmos que nega a verdade de nosso ser.
Ficamos paralisados porque sentimos medo. Pense por um instante:
- O que você teme?
Fora alguns medos que são inatos (presentes desde o nosso nascimento e que tem a função de preservar a nossa integridade física), a maioria de nossos medos relaciona-se às nossas experiências passadas (por exemplo, um dia você foi rejeitado ao tentar brincar com um grupo de coleguinhas, e a partir daí se retraiu e passou a temer se expor em relações sociais).
Nossas emoções tendem a generalizar indevidamente as experiências que vivemos. Assim, o medo somado às generalizações acabam nos aprisionando.
- "Um dia foi assim , logo... acontecerá assim novamente!"
Para sair dessa prisão precisamos correr o risco de testar a vida novamente. Precisamos perceber quando estamos tendendo a simplesmente "reagir" ao mundo, de acordo com uma emoção condicionada. Precisamos pensar, usar a razão para reavaliar a situação e correr o risco baseados na pessoa que somos HOJE, checar, acreditar que agora pode ser diferente do que foi lá atrás.
É o seu racional que pode lhe ajudar a enxergar quem você é hoje. O seu racional poderá lhe fazer raciocinar, perceber que hoje você é um adulto bem diferente daquela criança que foi. O seu racional pode lhe mostrar fatos que comprovem sua capacidade e pode instigar você a testar o mundo com base no presente, e não no passado.
Assim, se você se encontra paralisado em alguma situação da sua vida, faça uma lista prática de todos os medos que consegue associar a essa questão, e depois, racionalmente, perceba se existem experiências passadas associadas a eles. Avalie se esses medos são reais ou são generalizações de experiências passadas. E enfrente-os! Comece pelos mais fáceis, até que vá se sentindo mais seguro e confiante.
Você é capaz de mudar sua vida. Não desista. Mova-se!
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Linda mensagem, que nos faz refletir sobre nossas ações!!!
Parabéns pelo post!
Bjokas no coração,
Biana Bac
Saber o que fazer, este é o mistério, muitio boa sua matéria.
Abraços forte
Belo texto amiga.... vamos quebrar nossos paradigmas... mas para isto precisamos ter coragem de mergulhar em nossa mente inconsciente e trazer de lá tantas sensações que tentamos esconder!
beijo no coração
interessante!
òtimo poste parabéns.
A questão é : Nós somos o que pensamos, fazemos, falamos e temos.
há pessoas que foram maltratadas quando criança e
a partir daí nunca conseguiram sucesso, há um medo
, um receio que trava, e a pessoa não pensa nada positivo, não fala nada com motivação e fé,e não tem nada também porque não consegue vencer....
esta pessoa só muda se ela tomar iniciativa e provocar mudança.
Abraço
http://aleixoadm.blogspot.com/
As decepções do passado deixam marcas difíceis de serem apagadas da nossa memória, e, evidentemente nos apisionam a elas, impedindo que tomemos um determinado caminho nas encruzilhadas da vida, com medo de sofrermos os mesmos acidentes de percursos anteriores.
O que precisamos é tomar um rumo em nossas decisões, seguros de que tudo poderá dar certo, se não olharmos para trás com medo dos fantasmas que assombraram a nossa mente.
João
A mania constante que o ser humano tem de estagnar-se diante do desconhecido é pre-histórica, sabia? Mas chega um ponto da vida que isto muda.
No auge da juventude, se sentindo forte e inabalável, todos se atiram, rapidamente, impensadamente, sobre o que lhes parece ser "o ideal". Mas, o que é ideal?
"É preciso desenvolver sabedoria para lidar com as artimanhas do misterioso destino, uma vez que o acaso não protege ninguém - nem quem anda distraído"(Charles Feitosa).
Nossa liberdade é infinita, mas cheia de limitações.
Sim, somos capazes de mudar nossa vida, bastar acreditar e realizar metas.
Muito obrigada pela visita.
Beijinhos
Joici,
No início, execto os medos inatos, como vc falou, os medos não têm existência nem fundamentação. São reflexos, resíduos de experiências passadas. Mas... eles tomam vida sim, se tornam entidades surreais dentro de si, pq alimenta-se eles como pensamentos afins. Mas mudar os pensamentos são difíceis. Parecem que "os medos vivos" se devatem em uma cruzada violência pela sobrevivência e, mais, pelo poder sobre nossa Consciência, entronizado-se sobre nosso Subsconsciente.
Não existe, na minha opinião, o medo de ser feliz, mas de pisar na Terra Prometida com algum pé podre, o que os latinos chamavam de "pecus" (pé doente, origem da palavra "pecado" - ato de pisar em falso). E por se crer sempre com um pé podre, como um corcunda, um coxo ou um paralítico, é que se reluta em avançar. Por isso, Jesus trouxe vida nova ao paralítico; aquela passagem é tão reaç como alegórica, pois quando Jesus que o homem não estava mais "podre", quando disse "Levanta-te, e anda!", o homem viu que podia andar por si só.
Mas a ilusão não é só a do "pecus". Às vezes, temos os pés sadios, e caímos em lama movediça, e pensamos que a culpa é de nosso "pecus". Não, são as ilusões naturais do deserto: oásis que se desfazem, areias que se transformam em ventos e que viajam em tantas direções!!
Bem, saí um pouco do foco...pq nem eu mesmo sei responder à pergunta do título. Só posso dizer que eu, agindo ou não agindo, eu assumo, e isso por si, já é uma ação. Ação paliativa, atenuante, mas ainda ação!!
Bjs!
Joici, creio que muitos de nós ficamos na inércia algumas vezes e depois nos arrependemos, pq tem momentos que deixamos passar as oportunidades. Dependendo de circunstancias, não é tão facil sacodir a poeira, dar a volta por cima e simplesmente fazer o que tinha que ser feito. Mas reconhecer que "moscou" é fundamental para não cair no erro novamente.
Bjs
Olá querida amiga Joicinha,
Parabéns pelo texto maravilhoso.
É uma reflexão e tanto.
Temos que ter coragem para nos movimentar e modificarmos nossa vida, constantemente. Não podemos deixar os "medos" que tivemos no passado nos prender ao chão como estacas fincads na terra e ali, permanecermos sem perspectivas.
A vida é uma roda viva que gira e passa rápido aos nossos olhos e por isso, com pereverança e fé, temos que seguir adiante buscando alcançar qualidade de vida e sucesso.
Seguir sempre em frente....
Carinhoso e fraterno abraço,
Lilian